quinta-feira, 20 de março de 2014

Os 3 motivos que me levam a comprar Açucar

Desde o ínicio do ano o acúcar valorizou cerca de 20%, depois de ter atingido mínimos de 3 anos em Janeiro.
 
Após de uma queda de 16% em 2013, a maior queda anual desde 1992, o acúcar atingiu mínimos de 3 anos em Janeiro deste ano. Desde então, as secas que se fizeram sentir no Brasil (o maior produtor e exportador mundial de açucar) levaram o açucar a valorizar cerca de 20%.

Por detrás desta subida está também a intervenção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que desde Setembro do ano passado tem intervindo no mercado do açucar de modo a “salvar” alguns dos maiores produtores da bancarrota.  O USDA está a comprar açucar aos produtores a um preço superior ao do mercado e a vendê-lo, com perda, aos maiores consumidores. A divulgação desta  medida tem chamado a atenção dos investidores que reagem comprando futuros do açucar e contribuindo para o rebound actual no preço do mesmo.
Apesar do nível relativamente alto de inventários de açucar, após 4 temporadas de excedente de produção, o efeito cumulativo dos preços baixos do açucar e as maiores margens na soja, milho e trigo, poderão levar a uma queda drástica nos inventários para a temporada 2014/2015.
O que nos diz a Análise Técnica?
Desde que iniciou o rally ascendente que o açucar negoceia dentro de um canal ascendente (a azul no gráfico). O toque no limite superior do canal coincidiu com as notícias dum aumento das chuvas no Brasil, fazendo com que açucar desvalorizasse quase 5,5% na semana passada.
Segundo a Commodity Weather Group, nos primeiros 10 dias de Março, a chuva em São Paulo (o maior estado produtor de cana de açucar) duplicou comparativamente com o mês de Fevereiro. As perspectivas para os próximos 15 dias são de continuação das chuvas.
Nos últimos 3 dias o açucar formou um padrão de morning star e testou com sucesso a sua média móvel de 50 dias (preto). Além disso encontra-se muito perto do limite inferior do canal ascendente, pelo que decidimos comprar açucar a 17,08 USD com stop loss a 16,70 e take profit a 18,60.
 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Principais Conclusões da Conferência de Imprensa da FOMC

Na conferência de imprensa desta tarde, com início às 18h00 GMT, e tal como era esperado pelo mercado, a FED cortou em 5 mil milhões de dólares as compras de obrigações do tesouro americano e 5 mil milhões em MBS.
 
A taxa directora da FED manteve-se inalterada nos 0,0 - 0,25% e alguns membros da FED disseram mesmo que seria expectável ver a taxa nos 1% em 2015. Esta foi mesmo uma das conclusões mais importantes da primeira conferência de imprensa com Yellen á frente da FED. Yellen disse que passados 6 meses após o fim do programa de QE, previsto para o final do ano, poderá haver um aumento da taxa de juro.
 
Ficou assim bem claro que a FED pretende deixar a sua política altamente acomodativa. Em reacção o dólar valorizou e o nosso primeiro trade em ouro, aberto no dia 5 de Março, foi fechado com um ganho de 15,60USD por cada onça comprada.

Cobre faz novos mínimos anuais

Após a abertura dos mercados do outro lado do Atlântico, as acções americanas encontram-se sob forte pressão vendedora, antes da conferência de imprensa da FOMC às 14h30.
 
No mercado dos metais, o cobre atingiu os mínimos de 2014 e activou o nosso stop loss colocado nos 292 USD.
 

Mas afinal devemos comprar ou vender Ouro?

O ouro atingiu o seu máximo histórico, nos 1923USD por onça, em Setembro de 2011. Desde essa data até meados de 2013, assistimos à lateralização do preço do ouro entre os 1530 e os 1800 USD.

A quebra, em baixa, do importante suporte nos 1530 USD em Abril de 2013, fez com que o movimento de queda acelerasse e levasse o ouro a desvalorizar aproximadamente 30% esse ano.

O início de 2014 tem sido bastante bom para quem está investido em ouro, tendo o metal precioso valorizado 12,9% ao invés do dólar que caiu 1,2% no mesmo período (recordemos que o ouro e o dólar têm uma correlação inversa).

A pergunta que se nos coloca é saber se será apenas uma correcção do forte movimento descendente, a que assistimos no ano passado, ou o início de um novo movimento ascendente rumo aos máximos históricos?

Analisemos os factores fundamentais que, na minha opinião, poderão levar o ouro a ser um dos melhores investimentos de 2014!

O papel dos bancos asiáticos no mercado cambial

As reservas mundiais de dólares têm subido muito nos últimos anos, a um ritmo semelhante ao défice comercial americano no mesmo período. A queda da moeda verde tem sido temporariamente contida pelas compras dos bancos asiáticos que detêm actualmente dois terços do total das reservas mundiais de dólares. Sem a intervenção dos bancos centrais asiáticos, a América não seria capaz de financiar os seus défices sem taxas de juro mais elevadas ou sem uma queda acentuada do dólar para níveis inferiores aos actuais.

O principal motivo por detrás destas compras de dólares é a manutenção da competitividade dos países que necessitam crescer através de um aumento das exportações. Estes países, cujas economias dependem das exportações, necessitam de manter as suas moedas baixas em comparação com o dólar americano. No caso da China, em particular, a desvalorização do dólar permite-lhe manter a sua competitividade, uma vez que desde 1995 a sua moeda o yuan, ou renmimbi, está indexada ao dólar. A sua indexação significa que cai na mesma proporção que o dólar face às outras moedas.

Grande parte dos dólares adquiridos são depois usados na compra de Obrigações americanas, enviando os dólares de volta para os EUA. Estes países acabam por funcionar como credores permitindo ao governo americano financiar-se a taxas de juro baixas, o que ajuda os americanos a consumirem bens asiáticos.

Se os bancos centrais destes países pararem de comprar a moeda americana, o dólar poderá cair mais 50%, provocando o colapso da moeda e da procura do consumidor americano, provocando depois o contágio a nível global. Posto isto, a queda do dólar não só irá diminuir a competitividade exportadora dos países como vai levar os bancos centrais a perderem biliões no valor das suas reservas cambiais e instrumentos de dívida americanos.

China, a maior detentora mundial de dólares…

Neste momento, a China tem entre mãos um grande problema (que todos gostaríamos de ter): muito dinheiro!

São mais de $3,4 biliões em euros, ienes, libras e principalmente dólares. Mais de metade das suas reservas de moeda estrangeira são dólares, aproximadamente $2 biliões.
 
 
O problema da China é o dólar está em constante depreciação. Comparando com o dólar de há 100 anos atrás, o dinheiro de hoje daria para comprar aproximadamente 4% do que dava anteriormente. Isto significa que a China está actualmente sentada numa montanha de dinheiro que vai erodindo constantemente. À taxa de inflação actual, o poder de compra chinês em moeda verde cai $40 mil milhões por ano.

São $110 milhões por dia … $4,5 milhões por hora … $76.000 por minuto!
 
Não há saída fácil para a situação actual. A forma de ajustamento do dólar vai determinar a dimensão do impacto para as economias. É duvidoso que seja feita de uma maneira suave, pelos governos.

Grandes investidores como Warren Buffet, Sir John Templeton e George Soros têm vindo a avisar sobre a queda do dólar e a investir de acordo com essa convicção.


E o que realmente interessante para nós investidores…

As reservas de ouro da China não são actualizadas pelo ministro do comércio desde 2008. Nessa altura, o último relatório aponta 1.057 toneladas de ouro.
Nos últimos anos a taxa de aquisição de ouro tem vindo a aumentar substancialmente. Só em Março de 2013, quando o preço do ouro caiu 10% abaixo dos máximos de 2011, os chineses compraram 223,5 toneladas de ouro.
Os chineses continuam silenciosos no que respeita à divulgação de quanto ouro possuem. O que se sabe é que a perda de valor da moeda verde faz com que eles se queiram livrar rapidamente da mesma.
A resposta é comprar ouro … muito ouro!
Para converter a totalidade dos $3,4 biliões em moeda estrangeira eles precisariam de comprar 77.000 toneladas de ouro. Como é óbvio nenhum país tem a totalidade das suas reservas em ouro … nem mesmo os Estados Unidos que mantém 76% das suas reservas em ouro.
Assumindo a mesma proporção de 76%, uma vez que as reservas de moeda estrangeira da China são 22 vezes maiores que as dos Estados Unidos, a China precisaria de comprar 58.000 toneladas de ouro, ou seja, cerca de um terço do totalidade de ouro alguma vez extraído.
A China não tem muito por onde escolher: pode sentar-se e assistir ao seu dinheiro a desaparecer ou pode começar a comprar todo o ouro que encontrar!
Qual das opções escolheriam?
A que perdeu 30% nos últimos 10 anos, ou a que ganhou 400% no mesmo período?

 Juntando tudo, temos os ingredientes necessários para tornar o ouro num dos melhores investimentos de 2014.

Decidimos reforçar a posição de ouro, que temos em carteira desde 5 de Março, comprando a 1353,35 com stop loss a 1314 e take profit a 1408.

Terá o AUDUSD activado o H&S em definitivo?

A vela diária de ontem fechou bastante acima da resistência e neckline do padrão H&S nos 0,9080.
 
O dia de hoje abriu em baixa, esperando-se um pull-back à neckline, antes de novo movimento impulsivo.
 
Decidimos abrir um longo em AUDUSD a 0,9112 com stop loss a 0,8990 e take profit nos 0,9320.
 
 

segunda-feira, 17 de março de 2014

A situação actual e a sua repercussão no índice PSI-20

O apetite pelo risco voltou aos mercados, após o referendo deste domingo na Crimeia.
 
Os resultados foram esclarecedores: tal como era esperado, 97% dos participantes votaram a favor da integração na Rússia. No entanto, estes resultados não foram reconhecidos e foram mesmo apelidados de “ilegais” pelos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia que preparam sanções. Embora um eventual confronto armado pareça estar para já postos de parte, a Casa Branca disse que Barack Obama ordenou o congelamento de activos de cidadãos russos. Outro tipo de sanções, como a imposição de limitações à importação de energia, parecem altamente improváveis, uma vez que levariam à escalada do preço das mercadorias energéticas e consequentemente afectariam as economias ocidentais.
 
O respirar de alívio por parte dos investidores, perante a diminuição da probabilidade da escalada de tensão entre a Rússia e a Ucrânia, levaram os investidores a voltarem ao mercado de rendimento variável e a recomprarem as posições de que se haviam desfeito na semana passada.
 
Os activos refúgio como o ouro, as Bunds (obrigações alemãs a 10 anos) e os ienes, foram fortemente vendidos.
 
Por cá, o PSI-20 fechou a valorizar quase 2%, com 19 cotadas em alta, sobretudo impulsionado pelo sector da banca.

A nível técnico a semana passada foi bastante interessante. Os primeiros três dias da semana formaram um padrão de inversão chamado evening star. Para quem não conhece este tipo de padrão, constituído por velas japonesas, aqui fica uma breve explicação:

Evening Star é um padrão de reversão duma tendência ascendente para descendente, composto por três velas:
  • Vela 1: uma vela branca grande que mostra que os bulls controlam o mercado;
  • Vela 2: uma vela star;
  • Vela 3: a última vela do Evening Star é uma vela com o corpo preto e que penetra no corpo da primeira vela, mostrando que os bears ganharam o controlo.
 
A 5ª feira confirmou a formação do padrão com uma queda do PSI-20 de 2,5%. Na sexta-feira, a praça lisboeta abriu com um gap em baixa, mas a forte pressão compradora, na zona de suporte dos 7150 (antiga resistência dada pelos máximos de Janeiro), acabou por levar o mercado a recuperar e a formar uma vela de martelo (vela de inversão de tendência).

Neste momento, o índice PSI-20 tem cerca de 3% de potencial de valorização, até ao máximo anual nos 7667 pontos. Se esta resistência for ultrapassada, o próximo nível de resistência situa-se nos 8200 pontos.

Para já não há que recear uma inversão de tendência de médio prazo, pelo menos enquanto o suporte dos 7150 pontos não for quebrado.
 
 

sexta-feira, 14 de março de 2014

S&P500 Quebra o Canal Ascendente

Na análise que fiz há dois dias ao índice americano, alertei para a possibilidade do S&P500 quebrar, em baixa, o canal ascendente em que negociava desde o início do mês de Fevereiro.

Os receios dos investidores em relação ao referendo na Crimeia, agendado para este domingo, a par da ameaça permanente de conflito armado, têm levado os investidores a desfazerem-se das suas posições no mercado accionista. O S&P500 confirmou hoje a quebra do canal em baixa, atingindo o suporte dos 1850 pontos.

O próximo nível de referência são os 1830 pontos (média móvel de 50 dias).